Quase três décadas depois de sua estreia, Dragon Ball GT permanece como a produção mais controversa da famosa franquia de anime e mangá. Para uma série que continua relevante há mais de 40 anos, Dragon Ball enfrentou pouquíssimos tropeços ao longo de sua trajetória.
A chegada da obra ao Ocidente, vários anos após o encerramento da história original de Akira Toriyama no Japão, transformou Goku e seus companheiros em estrelas reconhecidas mundialmente.
Posteriormente, Dragon Ball Z Kai apresentou a saga a uma nova geração de espectadores. Além disso, o renascimento da franquia em meados da década de 2010, impulsionado pela exibição de Dragon Ball Super, trouxe ainda mais força e popularidade para esse universo.
Entretanto, na opinião de muitos fãs, Dragon Ball GT, lançado em 1996, representa um dos raros erros dessa longa trajetória. A produção chegou somente algumas semanas depois do término de Dragon Ball Z e pretendia aproveitar o enorme sucesso da série anterior.
Ao mesmo tempo, o novo anime tentou conduzir a franquia novamente às suas origens mais aventureiras, imprevisíveis e criativas. Como resultado, porém, o público recebeu 64 episódios marcados, em grande parte, por uma qualidade bastante irregular.
Nos anos seguintes, Dragon Ball GT acabou praticamente excluído da extensa e bem-sucedida história da franquia. Inclusive, Dragon Ball Super retirou oficialmente os acontecimentos do anime da linha do tempo considerada canônica.
Ainda assim, a produção estava longe de ser completamente ruim. Muitas de suas melhores ideias retornaram posteriormente ou serviram de inspiração para novos projetos. Por esse motivo, chegou o momento de reconsiderar aquele que talvez seja o melhor conceito apresentado em toda a história de Dragon Ball GT.
Os Dragões das Sombras de Dragon Ball GT merecem uma nova oportunidade
Ao longo dos anos, a franquia reaproveitou diferentes elementos introduzidos em Dragon Ball GT. Baby, considerado por muitos o melhor vilão do anime, possivelmente influenciou, pelo menos em parte, a criação de Goku Black em Dragon Ball Super.
Por outro lado, Dragon Ball Daima, lançado em 2024, buscou forte inspiração em GT. A produção transformou novamente seus principais personagens em crianças e, posteriormente, revelou uma versão atualizada da inesquecível transformação Super Saiyajin 4.
Portanto, Dragon Ball GT frequentemente apresentava conceitos promissores. No entanto, a série quase nunca conseguia desenvolver essas ideias de maneira realmente satisfatória.
Entre todas essas histórias, aquela que mais merece uma segunda oportunidade é, sem dúvida, a dos Dragões das Sombras. Utilizada como arco final do anime, a Saga dos Dragões das Sombras apresentou uma abordagem diferente para seus antagonistas.
Essas criaturas surgiram como consequência do uso frequente e inadequado das Esferas do Dragão ao longo da franquia. Além disso, elas estavam determinadas a castigar os habitantes da Terra pelo uso excessivo e, em grande parte, egoísta dos objetos mágicos capazes de realizar desejos.
O conceito, certamente, se diferencia de tiranos cruéis como Freeza ou de guerreiros espaciais violentos como os Saiyajins. Em vez de apresentar somente mais um inimigo poderoso, a história transformou as próprias Esferas do Dragão no centro do conflito.
Consequentemente, os protagonistas precisaram enfrentar as consequências de recorrer repetidamente àquilo que funcionava como uma espécie de solução imediata para qualquer problema.
Além disso, essa ideia funcionaria ainda melhor atualmente. Dragon Ball Super mostrou várias vezes Bulma e outros personagens utilizando as Esferas do Dragão em benefício próprio, mesmo quando suas intenções não eram necessariamente ruins.
Introduzir alguma consequência negativa relacionada ao uso desses artefatos permitiria aumentar consideravelmente a tensão da história. Afinal, dentro da franquia, a morte raramente se torna definitiva e quase nenhuma ameaça parece impossível de superar.
Atualmente, Dragon Ball atravessa um momento decisivo após o falecimento de seu criador, Akira Toriyama. Por isso, revisitar conceitos antigos, como os Dragões das Sombras, poderia representar uma maneira interessante de a franquia seguir adiante sem a orientação direta de Toriyama.
Dragon Ball GT possui muitos problemas, mas ainda merece ser assistido
A reputação de Dragon Ball GT está longe de ser positiva e, na maioria das vezes, existem bons motivos para isso. A produção enfrenta sérios problemas de ritmo e demora para encontrar uma identidade própria durante seus primeiros episódios.
Mesmo assim, a qualidade melhora consideravelmente durante a Saga Baby. Além disso, poucos fãs conseguem negar que o Super Saiyajin 4 continua sendo uma das transformações mais marcantes e visualmente impressionantes de toda a franquia.
A série também alcança um encerramento grandioso com a Saga dos Dragões das Sombras. O arco apresenta sequências de ação envolvendo Gogeta Super Saiyajin 4 e entrega uma conclusão surpreendentemente emocionante para a jornada de Goku.
Embora o anime moderno tenha praticamente deixado Dragon Ball GT no passado, as produções recentes aproveitaram diversos conceitos, personagens e elementos narrativos introduzidos pela série.
Entretanto, os Dragões das Sombras continuam sendo uma ideia praticamente exclusiva de Dragon Ball GT. Por causa de sua ligação direta com as Esferas do Dragão e com as consequências das ações dos protagonistas, esses vilões ainda possuem um enorme potencial narrativo.
Portanto, entre todas as ideias apresentadas pelo anime, essa é uma das que mais merecem retornar em algum projeto futuro de Dragon Ball.
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