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Filme no top 10 da Netflix tem adrenalina e tensão até o fim

Sicário: Dia do Soldado é uma produção imperdível na Netflix.

Thais Dos Santos Por Thais Dos Santos
19/01/2026
em Filmes
Sicário: Dia do soldado

Imagem: Divulgação

A guerra em Sicario: Dia do Soldado não começa na fronteira, mas no gabinete. A narrativa do filme que está na Netflix parte da decisão burocrática de rotular cartéis como células terroristas, e mostra como uma mudança de vocabulário autoriza métodos mais sujos. O suspense nasce disso: quando o Estado opera no escuro, alguém paga a conta.

Mesmo sem repetir a estrutura do primeiro filme, este capítulo mantém a mesma aspereza moral do universo criado por Taylor Sheridan. A diferença é o ponto de vista: não há olhar civil, só profissionais treinados para não sentir. O resultado é um thriller de espionagem que troca inocência por procedimento e transforma cada passo do plano em risco.

Sicário: Dia do Soldado mostra como uma única missão fabrica uma guerra

Há também uma mudança importante de textura em Sicário: Dia do Soldado sem a agente Kate Macer do primeiro filme, não existe mais alguém tentando nomear o absurdo em voz alta. O espectador acompanha profissionais treinados para “não sentir”, e isso altera a temperatura moral. Quando tudo vira procedimento, autorização, extração, contenção e negação, a violência parece inevitável.

O suspense nasce dessa frieza: a pergunta não é se algo dará errado, mas quem será descartado quando der. Sem uma âncora de inocência, cada cena parece empurrar o público para dentro do mesmo cinismo que move a operação. E, quando o filme entra nas cenas de ação, a coreografia não serve de alívio: ela apenas confirma que, ali, qualquer escolha é um dano calculado por alguém.

A ação é maior, mais direta, e a técnica reforça essa sensação de inevitabilidade: explosões, perseguições e tiroteios não aparecem como triunfo, mas como efeito colateral de uma estratégia que aceita destruir para organizar o caos.

Matt Graver, interpretado por Josh Brolin, volta como operador frio de uma política clandestina. Ele não age como herói, e sim como executor de uma tese: sequestrar Isabel Reyes, filha de um barão mexicano, para provocar uma guerra entre cartéis rivais. A ideia, vendida como necessária por instâncias superiores, é o coração moral do filme: usar uma adolescente como instrumento para produzir um conflito controlado.

Graver chama Alejandro, vivido por Benicio Del Toro, porque planos assim precisam de alguém que faça o trabalho que ninguém quer assumir. Del Toro compõe Alejandro com silêncio pesado, como se cada decisão viesse com memória. Ele não é só eficiente, é imprevisível quando a operação muda de regra no meio do caminho.

Isabel, interpretada por Isabela Merced, não é símbolo abstrato: é uma pessoa que está tentando sobreviver ao papel que lhe deram. Sua presença expõe o limite ético que o filme nunca resolve completamente, e por isso funciona, já que o método pode até ser estratégico, mas o dano é íntimo.

O suspense cresce quando a missão, planejada como cálculo, começa a se contaminar com imprevistos e com a própria covardia institucional. A mesma máquina que autoriza a operação também é capaz de abandonar seus agentes para preservar a narrativa pública.

Graver e Alejandro como dupla de fricção

Josh Brolin constrói Graver com pragmatismo quase irritante: ele parece confortável demais com o custo humano. Não é vilão teatral, é funcionário competente. Seu perigo está na calma. Ele fala em objetivo como quem fala em logística, e isso torna cada escolha mais fria.

Alejandro funciona como contraponto porque carrega algo que Graver tenta amputar: consequência. Benicio Del Toro não transforma o personagem em consciência moral: ele o torna humano o suficiente para hesitar quando a missão atravessa a fronteira da crueldade gratuita. A relação entre os dois é uma parceria de confiança limitada. Afinal de contas, eles se entendem operando, mas desconfiam do sistema que os usa.

Isabela Merced, que está bem no meio desse atrito, dá a Isabel uma reação concreta, não decorativa. A personagem resiste quando pode, teme quando precisa, e observa mais do que implora. Isso altera o tom das cenas: não é apenas resgate ou captura, é convivência forçada com alguém que revela a mentira do plano.

Técnica pesada, tensão constante

Sicário: Dia do Soldado
Imagem: Divulgação

Stefano Sollima filma a violência com peso físico. A ação não busca elegância, mas sim impacto por meio de elementos simples como poeira, ruído, deslocamento e corpos cansando. A trilha sonora e o design de som trabalham como pressão, não como aplauso, mantendo a sensação de ameaça contínua.

Por isso o filme é frequentemente visto como melhor que o primeiro nas sequências de ação: há mais escala e mais confronto, sem perder a sensação de sujeira. Ainda assim, o desconforto permanece. Sicario: Dia do Soldado termina como começou: com decisões tomadas longe do campo e consequências espalhadas perto demais da pele.

O longa é sequência de Sicario: Terra de Ninguém (2015), mas funciona facilmente como um capítulo próprio. No entanto, o que irá comprovar se existe uma ligação mais implícita entre os longas, é o terceiro filme que já se encontra em produção.

Aproveite para ler:

> Com Jason Statham na Netflix: Filme de ação sem limites que prende por 136 minutos

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Thais Dos Santos

Thais Dos Santos

Redatora com arquétipo de fora da lei e formada em marketing. Apaixonada por livros, séries e filmes, principalmente os clássicos. Atuo como criadora de diversos conteúdos para web e estou sempre em busca de mais conhecimento. Supernatural, Dark, Grey's Anatomy, A hora do Pesadelo, Uma Noite Alucinante e Bonequinha de Luxo são apenas algumas das minhas paixões, além de um bom rock n' roll.

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