A franquia Naruto passou anos carregando uma qualidade que a transformou em fenômeno mundial e, ao mesmo tempo, um problema que sempre limitou parte do seu potencial.
Por mais icônica que tenha sido, a adaptação em anime ficou marcada por uma crítica insistente: fillers demais, ritmo irregular e longos trechos que diluíam a força do material original. Agora, tudo indica que o próximo anime do universo criado por Masashi Kishimoto tem a chance real de mudar isso de vez.
A base dessa expectativa está no caminho que o Studio Pierrot parece ter adotado nos últimos anos. Em abril de 2025, a volta de Boruto em uma “segunda parte” apareceu como confirmada em atualização do site oficial do estúdio, embora ainda sem janela de estreia definida.
Ao mesmo tempo, a cobertura recente sobre a franquia passou a apontar para um modelo de produção mais sazonal, bem diferente do velho formato semanal que marcou Naruto, Naruto Shippuden e boa parte de Boruto: Naruto Next Generations.
O maior problema de Naruto sempre foi o excesso
Durante os anos 2000, lançar anime quase sem parar era uma estratégia comum para grandes shonens. Isso ajudava a manter a franquia sempre no ar, mas criava um obstáculo inevitável: o anime começava a alcançar o mangá rápido demais.
Quando isso acontecia, os estúdios tinham duas saídas. Ou desaceleravam a narrativa até o limite, com episódios esticados além do necessário, ou criavam material original para ganhar tempo. Foi exatamente aí que Naruto acumulou sua crítica mais persistente.
Esse problema não apagou o legado da série, mas sempre impediu que muita gente enxergasse o anime como uma adaptação realmente consistente do começo ao fim. Há arcos excelentes, lutas históricas e personagens inesquecíveis, mas também há longos desvios que quebram a urgência da história.
Para parte do público, isso virou até barreira de entrada. Muita gente gostava do universo de Naruto, mas desistia diante da quantidade de episódios que não empurravam a trama principal.
O próximo anime pode vir com uma lógica totalmente diferente
É justamente por isso que o retorno de Boruto — e, por extensão, do universo de Naruto na TV — desperta tanto interesse. O cenário industrial hoje é outro. Em vez de produzir anime em fluxo semanal eterno, muitos estúdios passaram a trabalhar em blocos sazonais, com pausas maiores, mais planejamento e um cuidado melhor com o ritmo.
O próprio Studio Pierrot já entrou nessa lógica com Bleach: Thousand-Year Blood War, cuja adaptação foi organizada em partes, com intervalos entre elas, em vez de uma corrida contínua de episódios.
Essa mudança é importante porque resolve o velho inimigo da franquia na origem. Quando um anime é produzido por temporadas, o estúdio não precisa preencher espaço à força enquanto espera o mangá avançar. O foco passa a ser adaptar a história principal com mais precisão, menos gordura e mais impacto.
Em outras palavras, o próximo anime de Naruto pode não apenas ter menos filler. Ele pode nascer já blindado contra o problema que mais desgastou a marca por anos.
Boruto pode ser o maior beneficiado dessa mudança
No caso de Boruto, isso faz ainda mais sentido. A série ficou em hiato em março de 2023, no episódio 293, e a segunda parte continua sem data oficial, embora a produção tenha sido confirmada. Como o mangá seguiu adiante e entrou na fase Two Blue Vortex, existe hoje uma oportunidade muito mais clara de reorganizar a adaptação com mais foco narrativo.
Em vez de repetir o modelo antigo, o anime pode retornar já com um formato mais enxuto, aproveitando melhor o material principal e valorizando o salto dramático da nova fase.
Isso também ajuda a melhorar outra crítica recorrente da franquia: a sensação de que algumas histórias perdiam força por ficarem tempo demais em circulação. Um calendário mais controlado tende a favorecer temporadas com começo, meio e fim mais definidos.
Para o espectador, isso significa menos dispersão. Para a série, significa mais impacto. E para o universo de Naruto, significa a chance de voltar com uma energia que muitos fãs sentem faltar desde os melhores momentos de Shippuden.
O retorno de Naruto pode ser melhor do que muita gente imagina
O ponto mais interessante de tudo isso é que a grande revolução talvez não esteja em um novo vilão, em um novo visual ou em uma luta gigantesca.
A maior mudança pode estar justamente na estrutura. Se o próximo anime realmente abraçar um modelo sazonal, o universo de Naruto pode enfim se livrar da crítica que o perseguiu por décadas e entregar uma adaptação mais firme, mais elegante e mais fácil de acompanhar.
No fim, o que parecia apenas uma mudança de calendário pode se transformar em algo bem maior. O próximo anime de Naruto tem tudo para mostrar que a franquia não precisava de mais episódios. Precisava de episódios melhores, mais concentrados e menos desviados do que realmente importa. Se isso se confirmar, a maior fraqueza da saga pode finalmente virar passado.
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