Supergirl finalmente chegou, e o novo longa do Universo DC representa apenas a versão mais recente entre diversas interpretações marcantes da personagem apresentadas nas telas ao longo dos anos. A nova Kara Zor-El, vivida por Milly Alcock, se junta a um legado importante de atrizes que assumiram o icônico papel da kryptoniana.
Kara existe há bastante tempo. Sua estreia nos quadrinhos ocorreu em Action Comics #252, publicado em 1959, um acontecimento importante que marcou o começo de sua extensa trajetória na cultura popular.
O Legado de Supergirl
Desde então, Supergirl esteve presente nos quadrinhos por mais tempo do que vários outros heróis conhecidos, incluindo Homem-Aranha e Batgirl. Portanto, esse histórico ajuda a demonstrar a relevância cultural conquistada por Kara.
Embora ela costume ser apresentada como prima do Superman, muitos aspectos de sua trajetória mudaram ao longo das décadas. A história em quadrinhos que serviu de base para Supergirl: Woman of Tomorrow, por exemplo, é relativamente recente e transformou profundamente a maneira como a heroína passou a ser compreendida.
Mais do que uma versão feminina do Superman, a Supergirl contemporânea carrega uma dor intensa e trágica. Afinal, o sofrimento sempre esteve presente na história de Kara.
Desde a destruição de Krypton até a perda de seu primo Kal-El, o que lhe impediu de acompanhar seu crescimento, a heroína convive com um trauma extremamente profundo. Por isso, ao comparar suas diferentes versões nas telas, também é importante considerar todo o legado construído pela personagem nos quadrinhos.
5. Laura Vandervoort
Depois de uma aparição televisiva muito breve interpretada por Adrianne Palicki, a segunda grande versão de Supergirl surgiu em Smallville. Laura Vandervoort viveu Kara Zor-El e assumiu uma função importante dentro da série da CW.
Vandervoort possuía a aparência ideal para o papel e, frequentemente, aparecia com figurinos inspirados nas cores clássicas da personagem. Assim, visualmente, sua interpretação parecia uma escolha bastante natural.
Kara representou uma boa adição à sétima temporada. No entanto, naquele momento, a produção que antecedia a trajetória de Superman já começava a apresentar sinais de desgaste.
A sétima temporada costuma ser apontada como uma das mais fracas de Smallville. Além disso, a greve do Sindicato dos Roteiristas da América, ocorrida entre 2007 e 2008, prejudicou diversas histórias, fazendo com que muitas tramas daquela fase parecessem pouco desenvolvidas.
Ainda assim, Vandervoort desempenhou muito bem o papel. Porém, o relacionamento de Kara com Clark, principalmente porque ela continuava vivendo sob a sombra dele, deveria ter causado um impacto mais evidente.
A personagem também merecia ter recebido uma acolhida mais calorosa por parte do público e dos demais personagens. Embora a atriz tenha entregado uma Supergirl competente, a versão de Smallville continua sendo a mais fraca da lista.
4. Helen Slater
Helen Slater teve pouco tempo de tela como Supergirl. Ela protagonizou o filme Supergirl e, décadas depois, realizou uma participação rápida em The Flash, produção diretamente conectada ao universo de Superman estrelado por Christopher Reeve.
Mesmo trabalhando com uma quantidade limitada de material, Slater realizou um trabalho admirável ao interpretar a heroína. Sua escalação parecia perfeita, mas a personagem acabou prejudicada por um roteiro frágil.
O projeto poderia ter representado um grande avanço para os filmes de super-heroínas. Contudo, o longa se transformou em um enorme fracasso comercial, arrecadando aproximadamente US$ 14,3 milhões e recebendo avaliações quase totalmente negativas.
Por isso, apesar de sua importância histórica, é difícil considerar essa versão da Supergirl como algo além de um insucesso de seu período.
No entanto, Slater trouxe um otimismo vibrante para Kara. Além disso, entregou charme e simpatia ao papel, características que mais tarde influenciariam outras atrizes que assumiriam a personagem.
3. Sasha Calle
Inicialmente, The Flash prometia se tornar um dos maiores filmes de quadrinhos já produzidos. Entretanto, a recepção do público e os resultados nas bilheterias ficaram muito abaixo das expectativas, transformando o projeto em um dos maiores fracassos da história recente da DC.
Ainda assim, esse resultado não ocorreu por responsabilidade do elenco. Na verdade, muitos elogios foram direcionados à atuação de Sasha Calle como a kryptoniana.
Inspirada nos quadrinhos de Flashpoint, a versão apresentada em The Flash se aproxima mais da heroína alternativa vivida por Milly Alcock do que de qualquer outra interpretação desta classificação.
Ao contrário do Superman sombrio e melancólico de Henry Cavill, essa Supergirl, depois de passar anos aprisionada, demonstrava pouca confiança na humanidade.
Calle realizou um excelente trabalho, oferecendo uma perspectiva diferente sobre aquilo que Kara poderia representar. Sua personagem era dura, cínica e muito mais violenta do que as versões anteriores.
Essa interpretação também se tornou um dos maiores acertos do filme, criando uma personagem intensa, singular e interessante. Caso o Universo Estendido da DC não tivesse sido encerrado, a Supergirl de Calle poderia ter recebido um desenvolvimento muito mais amplo.
2. Melissa Benoist
Muitas pessoas consideram Melissa Benoist a melhor Supergirl já apresentada na televisão, e essa avaliação faz sentido. A atriz interpretou a personagem diversas vezes, protagonizou seis temporadas de sua própria série e participou de diferentes eventos do Arrowverse.
Além disso, Benoist representou de maneira convincente o ideal clássico da heroína. Para muitos espectadores, ela se tornou o rosto definitivo da personagem fora dos quadrinhos.
A atriz confere à sua versão de Kara uma enorme capacidade de criar identificação com o público. Isso acontece, sobretudo, por causa da forma como a série acompanha sua vida profissional, que parece ter saído diretamente de uma produção como O Diabo Veste Prada, enquanto desenvolve uma extensa trajetória como super-heroína.
A Supergirl de Benoist também ajudou bastante a consolidar o legado da personagem. Durante a série, Kara assumiu diferentes funções e mostrou que poderia ser otimista, determinada, divertida e poderosa.
Ao mesmo tempo, a produção nunca abandonou sua bondade e seu lado humano. Dessa maneira, a heroína conseguiu equilibrar poderes extraordinários com um nível importante de vulnerabilidade.
Embora o Arrowverse tenha realizado um trabalho excelente com a personagem, a produção enfrentava as limitações naturais de orçamento e estrutura da televisão. Consequentemente, algumas configurações e cenas não alcançavam a grandiosidade de uma produção cinematográfica.
Mesmo assim, a atuação de Melissa Benoist frequentemente fazia sua versão parecer maior do que várias interpretações criadas para o cinema. Portanto, ela continua sendo uma parte essencial do legado de Supergirl e ocupa, com méritos, a segunda colocação.
1. Milly Alcock
A nova Supergirl é a melhor, e existem duas razões diferentes para isso. A primeira é a atuação extraordinária de Milly Alcock.
Embora a atriz tenha aparecido rapidamente em uma cena bem-humorada no encerramento de Superman, o novo filme conseguiu reinterpretar sua personagem e adicionar elementos muito mais dramáticos ao seu passado.
Alcock assume o papel com enorme precisão. Ela carrega uma tristeza intensa e uma angústia constante, sentimentos que acompanham a heroína durante todo o longa.
Essa dor se manifesta por meio de um comportamento solitário, provocado por sua conexão profunda com Krypton e pelo afastamento emocional da família. Além disso, acompanhar o relacionamento de Kara com Ruthye permite que o trabalho de Alcock alcance seus melhores momentos.
A segunda razão pela qual essa Supergirl ocupa o primeiro lugar está na própria construção da personagem. Ela é, simplesmente, muito mais interessante do que jamais havia sido nas telas.
Em vez de permanecer apenas na enorme sombra do Superman, essa versão de Kara recebe habilidades próprias, desafios particulares e um contexto muito mais amplo.
A heroína aparece em uma escala galáctica, enquanto sua solidão e o trauma que carrega ganham enorme destaque. Portanto, a produção consegue apresentar tanto seu poder quanto sua fragilidade emocional.
Ao utilizar uma história intensa de vingança, Supergirl desenvolve a melhor narrativa já oferecida à personagem. Poucas trajetórias exigiam tanto uma atriz capaz de dar profundidade ao papel, e Milly Alcock, conhecida por House of the Dragon, mostrou-se a escolha ideal.
Seu futuro dentro do Universo DC parece promissor e cheio de possibilidades. Assim, Milly Alcock estabelece uma nova referência para Supergirl e entrega a versão live-action mais completa da heroína até agora.
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