Codirigido por Phil Lord e Christopher Miller, Devoradores de Estrelas começa quando Ryland Grace, um professor do ensino médio que também atua como cientista, desperta sozinho dentro de uma espaçonave localizada a vários anos-luz da Terra. Para tornar a situação ainda mais preocupante, ele sofre de amnésia, enquanto suas lembranças da vida no planeta retornam somente em pequenos fragmentos.
Ao longo da história, descobrimos que a temperatura da Terra começou a cair rapidamente por causa do enfraquecimento da luz solar. O fenômeno ocorre devido à presença de bilhões de entidades espaciais que se espalham pela estrela e passam a consumir sua energia.
De maneira ainda mais enigmática, essas criaturas parecem utilizar uma espécie de caminho de transporte entre o Sol e Vênus. Como resultado, surge no espaço um rastro de luz rosa intensa.
Finalmente, Grace percebe que essas entidades são, na verdade, microrganismos espaciais conhecidos como astrófagos. Eles se alimentam da energia solar e, depois disso, liberam energia cinética pura.
Entretanto, quanto mais o cientista descobre sobre esses organismos invasores, mais evidente se torna que o tempo disponível para impedir a extinção da humanidade está terminando. SPOILERS A SEGUIR.
Os astrófagos de Devoradores de Estrelas
Embora o astrófago seja um microrganismo alienígena inventado por Andy Weir especialmente para o livro que inspirou Devoradores de Estrelas, sua origem pode ser relacionada, ainda que vagamente, a conceitos e teorias científicas existentes.
Até hoje, a humanidade não encontrou provas concretas de vida fora da Terra. Além disso, não existe nenhuma evidência de organismos capazes de se alimentar diretamente de estrelas.
Mesmo assim, Andy Weir desenvolveu uma explicação detalhada para justificar a existência de uma atividade microbiana ocorrendo a vários anos-luz do planeta.
Durante uma entrevista à revista Space, o escritor explicou:
“Eu não queria tentar inventar vários tipos diferentes de formas de vida do zero. Então, decidi que poderia haver um evento de panspermia.”
Nesse contexto, a panspermia corresponde à hipótese de que a vida poderia ter se espalhado pelo universo através de meteoroides, asteroides e cometas.
Consequentemente, essa possibilidade explicaria como organismos parecidos poderiam existir em regiões extremamente distantes umas das outras no espaço.
O que é perfeito nos astrófagos?
O que torna os astrófagos especialmente diferentes não é apenas sua capacidade de locomoção e reprodução com o auxílio da luz solar. Além disso, eles conseguem metabolizar energia térmica com grande eficiência.
Quando comparados a formas reais de vida, esses seres lembram determinados micróbios extremófilos. Esses microrganismos conseguem sobreviver e até se desenvolver em ambientes considerados extremamente agressivos ou hostis.
Existem, por exemplo, registros de micróbios vivendo dentro de fontes termais vulcânicas. Nesses locais, a temperatura pode permanecer próxima de 80 graus Celsius, equivalentes a 176 graus Fahrenheit.
Em outros casos, algumas espécies microscópicas demonstraram capacidade para resistir durante longos períodos a doses intensas de radiação. Essa característica também aparece nos astrófagos fictícios apresentados em Devoradores de Estrelas.
Portanto, embora essas criaturas não existam, algumas de suas propriedades possuem relações indiretas com organismos encontrados no mundo real.
Andy Weir frequentemente utiliza conhecimentos científicos verdadeiros como ponto de partida para suas criações narrativas. Assim, os astrófagos representam outro exemplo da maneira como sua curiosidade artística se mistura ao interesse pela ciência.
A Linha Petrova é um fenômeno espacial criado especialmente para a história
Como os próprios astrófagos são organismos inventados para o universo de Devoradores de Estrelas, também faz sentido que a Linha Petrova seja um acontecimento completamente fictício.
Esse fenômeno consiste em um caminho formado por bilhões de astrófagos que se movimentam continuamente entre o Sol e Vênus.
Embora o espaço seja repleto de ocorrências que ainda parecem difíceis de explicar, Andy Weir aparentemente não se baseou diretamente em nenhum fenômeno real para criar a Linha Petrova.
Ainda assim, existe a possibilidade de que seu formato faça uma referência indireta aos detritos espaciais acumulados ao redor da Terra.
Frequentemente, esses fragmentos aparecem em representações visuais como grandes conjuntos de objetos que ocupam lentamente as regiões próximas ao planeta.
Por outro lado, também existem fenômenos espaciais igualmente misteriosos além da Terra. Um exemplo são os conhecidos rastros deixados pelos redemoinhos de poeira em Marte.
Esses sinais aparecem na superfície do planeta como longas linhas em espiral, produzidas por acontecimentos naturais.
Embora seja possível identificar algumas semelhanças visuais entre essas marcas e as imagens da Linha Petrova, não existe nada que indique uma inspiração direta.
Portanto, tudo aponta para que a Linha Petrova tenha surgido principalmente da imaginação de Andy Weir.
Apesar disso, os astrófagos relacionados ao fenômeno continuam ocupando um lugar especial para o escritor dentro da história original.
O que o diretor de Devoradores de Estrelas disse?
Durante uma conversa com a Popular Mechanics, Weir discutiu a possibilidade de algumas das invenções apresentadas na narrativa se tornarem reais futuramente.
Entre todas elas, o autor mencionou primeiro os astrófagos:
“Se eu pudesse escolher uma das coisas, escolheria os astrófagos. Se eu pudesse ter alguns deles no mundo real, e tivesse certeza de que não os colocaria acidentalmente no Sol, isso mudaria o mundo inteiro.”
A declaração reforça novamente que os organismos apresentados em Devoradores de Estrelas pertencem completamente ao campo da ficção.
Entretanto, caso existissem no mundo real, sua capacidade de armazenar e liberar grandes quantidades de energia poderia transformar completamente a vida humana.
Ao mesmo tempo, como o próprio autor destaca, a introdução acidental desses microrganismos no Sol também poderia provocar consequências extremamente perigosas.
Assim, tanto o Astrófago quanto a Linha Petrova foram desenvolvidos como elementos fictícios. Contudo, os conceitos usados por Andy Weir encontram algumas conexões com teorias científicas, micróbios extremófilos e fenômenos naturais observados no espaço.
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