Entre viagens espaciais, civilizações alienígenas e ameaças capazes de destruir planetas, a ficção científica frequentemente abandona qualquer compromisso com a realidade. Entretanto, Devoradores de Estrelas segue uma direção diferente. O filme utiliza conceitos científicos para construir uma aventura acessível, emocionante e surpreendentemente humana.
Disponível para os assinantes do Prime Video desde 3 de julho de 2026, o longa aparece atualmente como o filme número 1 da plataforma no Brasil. Além disso, a produção possui 2 horas e 36 minutos de duração e apresenta Ryan Gosling em uma missão espacial que pode determinar o futuro da humanidade.
Devoradores de Estrelas começa com um homem perdido no espaço
A trama acompanha Ryland Grace, um antigo professor de ciências que desperta sozinho dentro de uma espaçonave. Inicialmente, ele não se lembra do próprio nome, não sabe onde está e tampouco entende por que foi enviado para tão longe da Terra.
Conforme algumas lembranças retornam, Grace descobre que participa de uma missão desesperada. Uma misteriosa forma de vida microscópica está consumindo a energia das estrelas. Consequentemente, o Sol começa a perder força, colocando toda a população terrestre diante de uma possível extinção.
Sem contato imediato com a Terra, o professor precisa utilizar conhecimentos de física, química e biologia para compreender o fenômeno. No entanto, a situação se torna ainda mais inesperada quando ele encontra Rocky, um ser alienígena que enfrenta um problema semelhante em seu próprio sistema planetário.
Embora não compartilhem idioma, aparência ou necessidades biológicas, os dois começam a desenvolver uma maneira de se comunicar. Dessa forma, aquilo que parecia somente uma aventura sobre sobrevivência espacial também se transforma em uma história sobre confiança, cooperação e amizade.
Uma ficção científica mais preocupada com soluções possíveis
A comparação com Interestelar nasce principalmente da maneira como os dois filmes utilizam a ciência para sustentar grandes emoções. Em vez de resolver os problemas apenas com armas ou batalhas, Devoradores de Estrelas acompanha personagens criando hipóteses, realizando experimentos e corrigindo erros.
Evidentemente, a substância responsável por enfraquecer o Sol é fictícia. Ainda assim, Andy Weir, autor do livro que inspirou o filme, construiu o conceito a partir de discussões reais sobre astrobiologia, organismos extremófilos e a possibilidade de existirem formas de vida muito diferentes daquelas encontradas na Terra.
Consequentemente, o público consegue acompanhar o raciocínio de Grace mesmo sem dominar assuntos científicos. O roteiro explica os problemas de maneira clara e, ao mesmo tempo, preserva a sensação de descoberta.
Além disso, o protagonista não corresponde ao astronauta heroico tradicional. Grace sente medo, comete erros e nem sempre enfrenta as situações com coragem. Portanto, Ryan Gosling constrói um personagem vulnerável, engraçado e inteligente, cuja humanidade se torna tão importante quanto seu conhecimento.
Ryan Gosling divide a missão com um companheiro inesquecível
Grande parte do filme depende da atuação de Ryan Gosling, já que Grace passa longos períodos sem qualquer companhia humana. Entretanto, a chegada de Rocky muda completamente a dinâmica da história.
James Ortiz interpreta o alienígena por meio de performance física, enquanto a produção utiliza efeitos visuais para completar sua aparência. Mesmo sem expressões humanas convencionais, Rocky demonstra humor, preocupação, inteligência e uma personalidade capaz de conquistar rapidamente o público.
Sandra Hüller interpreta Eva Stratt, responsável por organizar a missão que envia Grace ao espaço. O elenco também conta com Lionel Boyce, Ken Leung e Milana Vayntrub. Enquanto isso, Phil Lord e Christopher Miller comandam a direção, e Drew Goddard assina o roteiro baseado no romance de Andy Weir.
A narrativa alterna o presente no espaço com lembranças da preparação da missão. Assim, aos poucos, o público descobre por que Grace foi escolhido e quais decisões o levaram até aquela nave.
Sucesso nos cinemas continuou no Prime Video
Antes de chegar ao streaming, Devoradores de Estrelas conquistou aproximadamente US$ 684 milhões nas bilheterias mundiais. Desse total, cerca de US$ 344 milhões vieram dos Estados Unidos e US$ 340 milhões dos demais mercados, tornando a produção um dos maiores sucessos cinematográficos de 2026.
A recepção também acompanhou o desempenho comercial. O filme registra 95% de aprovação do público no Rotten Tomatoes, com mais de 25 mil avaliações verificadas. Além disso, alcançou nota 77 entre os críticos e 8,2 entre os usuários no Metacritic.
Apesar da longa duração, a história mantém o interesse ao combinar mistério, ciência, humor e emoção. Além disso, o relacionamento entre Grace e Rocky oferece uma dimensão afetiva que impede a produção de se transformar apenas em uma demonstração de efeitos visuais.
Assim como Interestelar, o longa utiliza uma ameaça cósmica para falar sobre escolhas humanas, sacrifício e esperança. Contudo, Devoradores de Estrelas adota um tom mais leve e acessível, sem abandonar os dilemas científicos que sustentam sua missão.
Atualmente na primeira posição do Prime Video no Brasil, o filme representa uma excelente descoberta para quem procura uma ficção científica inteligente, grandiosa e emocional. Afinal, mesmo cercada por estrelas, alienígenas e tecnologias avançadas, a história encontra sua maior força na amizade improvável entre dois seres que precisam aprender a confiar um no outro.
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