A Segunda Guerra Mundial já inspirou incontáveis filmes sobre batalhas, resistência e sobrevivência. Entretanto, Nuremberg segue outro caminho ao observar o período posterior ao conflito. Disponível no Prime Video, o longa acompanha um psiquiatra encarregado de analisar os líderes nazistas antes daquele que ficaria conhecido como o julgamento do século.
Estrelado por Rami Malek e Russell Crowe, o drama entrou no catálogo brasileiro do Prime Video em 26 de junho de 2026. Além disso, possui 2 horas e 28 minutos e combina suspense psicológico, acontecimentos históricos e um confronto intelectual perturbador.
Nuremberg mostra a guerra por uma perspectiva diferente
A história acontece depois da derrota da Alemanha nazista, quando as potências aliadas precisam decidir como responsabilizar os principais integrantes do regime pelos crimes cometidos durante o Holocausto. Contudo, antes do início dos julgamentos, existe uma preocupação importante: descobrir se os prisioneiros possuem condições mentais para enfrentar o tribunal.
Rami Malek interpreta Douglas Kelley, psiquiatra do Exército dos Estados Unidos designado para avaliar 22 importantes líderes nazistas. Entre eles está Hermann Göring, braço direito de Adolf Hitler e uma das figuras mais poderosas do regime.
Inicialmente, Kelley acredita que conseguirá encontrar alguma característica psicológica capaz de explicar a crueldade dos acusados. Entretanto, conforme realiza entrevistas e testes, ele percebe que aqueles homens não correspondem necessariamente à imagem convencional de monstros completamente insanos.
A descoberta torna a missão ainda mais desconfortável. Afinal, admitir que pessoas aparentemente racionais participaram de atrocidades significa reconhecer que o mal nem sempre surge acompanhado de loucura evidente.
O verdadeiro Douglas Kelley aplicou testes de Rorschach, analisou a escrita e realizou diversas entrevistas com os prisioneiros. Além disso, ficou impressionado com a inteligência de Göring, que passou a tratá-lo como alguém próximo durante o período de encarceramento.
Rami Malek e Russell Crowe travam um duelo psicológico
Grande parte de Nuremberg depende das conversas entre Douglas Kelley e Hermann Göring. Russell Crowe interpreta o líder nazista como um homem inteligente, articulado e consciente do poder que ainda exerce sobre aqueles ao seu redor.
Mesmo encarcerado, Göring tenta controlar as entrevistas, conquistar a simpatia do psiquiatra e manipular a forma como será lembrado. Portanto, cada conversa se transforma em uma disputa silenciosa na qual os dois personagens procuram compreender as fraquezas do adversário.
Kelley, por sua vez, começa a demonstrar uma curiosidade cada vez mais perigosa. Embora saiba perfeitamente quem está diante dele, o psiquiatra se sente atraído pela oportunidade de investigar a mente de um dos principais responsáveis pela estrutura nazista.
Consequentemente, o relacionamento ultrapassa os limites de uma avaliação clínica comum. O médico pretende entender Göring, enquanto o prisioneiro utiliza carisma, inteligência e arrogância para questionar as certezas de seu examinador.
Essa abordagem diferencia o filme de produções concentradas apenas nas sessões do tribunal. Embora o julgamento continue essencial, Nuremberg dedica maior atenção ao que acontece antes das audiências e dentro das celas onde os acusados aguardam seu destino.
Michael Shannon representa a busca por justiça
Enquanto Kelley avalia os prisioneiros, Robert H. Jackson trabalha para construir o processo contra os líderes nazistas. Interpretado por Michael Shannon, o promotor precisa garantir que o julgamento não pareça apenas uma vingança organizada pelos vencedores da guerra.
Jackson defende que os acusados recebam a oportunidade de responder formalmente pelos crimes. Dessa maneira, o tribunal ajudaria a documentar as atrocidades e estabeleceria princípios importantes para futuras acusações envolvendo genocídio e crimes contra a humanidade.
O elenco também reúne Leo Woodall como o sargento Howie Triest, John Slattery como o coronel Burton Andrus e Richard E. Grant. James Vanderbilt escreveu e dirigiu o filme, baseando-se no livro The Nazi and the Psychiatrist, de Jack El-Hai.
Vanderbilt ficou conhecido principalmente pelo roteiro de Zodíaco. Assim, em vez de transformar o período histórico em uma aula convencional, ele constrói um suspense sobre investigação, manipulação e os limites éticos enfrentados pelo psiquiatra.
Público recebeu melhor o filme do que a crítica
Nuremberg alcançou 72% de aprovação entre os críticos no Rotten Tomatoes. Entretanto, a recepção do público foi consideravelmente mais positiva, chegando a 95% entre mais de mil avaliações verificadas. Russell Crowe recebeu destaque principalmente pela presença ameaçadora e pelo controle demonstrado durante os diálogos.
O filme não pretende resumir toda a Segunda Guerra Mundial nem explicar cada detalhe dos julgamentos. Pelo contrário, utiliza um recorte específico para discutir como pessoas inteligentes e aparentemente comuns podem justificar atos de extrema crueldade.
Por isso, a produção funciona melhor como drama psicológico do que como relato histórico completo. Os acontecimentos reais sustentam a narrativa, porém o confronto entre Kelley e Göring representa o verdadeiro centro da experiência.
Disponível no Prime Video, Nuremberg merece atenção de quem procura uma história baseada em fatos, mas apresentada por um ponto de vista menos convencional. Além das atuações de Rami Malek e Russell Crowe, o filme deixa uma pergunta incômoda: será que compreender a origem do mal realmente ajuda a impedir que ele apareça novamente?
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